Sabemos que somos seres sociais, e a nossa tendencia é viver em grupos, é querer fazer parte de algo, sentir que pertencemos a alguma coisa e por isso podemos acabar nos submetendo a coisas que vão na contramão do que faz sentido de fato para nossa essência e propósitos pessoais, o chamado efeito ‘MANADA’, fazemos automaticamente porque tem outros fazendo o mesmo, então sem juízo de valor fazemos, e não é algo que elaboramos de forma racional.
Eu gosto muito de trazer em sessão a reflexão dos caminhos de Alice “(…) meu bem, se você não sabe para onde vai, qualquer caminho serve (…)” agora, imagine isso aplicado a sua vida, se você não sabe suas intenções você se torna altamente suscetível a aderir o viés de terceiros e a seguir caminhos que na realidade não contemplam as suas próprias necessidades.
Quantas e quantas vezes não começamos a sentir um dissabor, uma agonia, um desejo de mudar, mas não sabemos nem quando nem como e muitas vezes nem a razão deste mix de emoções e sentimentos dentro da gente, e é muito frequente isso vir junto de uma exaustão física e mental, aí fica difícil, muito difícil…
Na terapia cognitivo comportamental trabalhamos com as crenças disfuncionais, que englobam ideias e comportamentos que temos, e essas regularmente são tão fortes que fazer com que a gente se mantenha em um grande ciclo vicioso, um exemplo que é muito forte em nós é a crença do DESVALOR, é algo complexo, mas vou dar um exemplo que é comum nesta crença. Imagine que você tem como estratégia na vida estar sempre buscando a validação de terceiros para tudo o que faz, mas mesmo que você consiga você nunca está satisfeito, sente que falta alguma coisa, que pode e deveria ser melhor, acho que você deve estar habituado ao tema como ‘PERFECCIONISMO’, e sendo assim, não há descanso, não há paz, mas há muita PRESSÃO, seja para ter, ou para ser, e um dos sentimentos mais doídos é o de sentir a FRUSTRAÇÃO e de ainda não PERTENCER. Enfim, essa crença nos faz duvidar e desacreditar do nosso valor e potencial, porque todo o poder fica nas mãos de terceiros, e este dita o que devo, como e posso SER e essa é uma das maiores fontes de sofrimento para as pessoas que vivem em prol única e exclusivamente do trabalho. Se há aqui uma fusão com o trabalho quando eu não for mais útil àquele lugar não é só a identidade que perco, eu serei automaticamente fragmentada junto.
Pesado, não?!
Mas vamos pensar no que pode ajudar a não ficarmos reféns das armadilhas estruturais e mentais. Diante do contexto eu deixarei alguns pontos de reflexão e sugestões.
- Uma coisa que acho muito válida é fazer as coisas com INTENÇÃO, ter propósito é uma coisa muito boa, pois além de nos direcionarmos a gente não se perde no que é do outro.
- DETERMINE: O que eu estou fazendo faz sentido para meu eu do presente ou para outro espaço tempo?
- Planeje trimestralmente os seus planos e faça os ajustes necessários.
- Toda decisão é revogável.
- Se eu me afastar de mim, se eu não tiver uma rede de apoio funcional eu posso me perder de forma muito severa.
- A contrapartida de sermos estatisticamente mais vulneráveis, mas na prática geralmente sermos aqueles que mais sustentam o fardo pesado da multitarefa e potencialidade. Então, lembre-se de que não é porque você aguenta firme que significa que não seja pesado.
- Compartilhe, tenha apoio, você não está só.
- Nutra seus espaços de aquilombamento.
- Os lugares que TE permitem estar te dão espaço para você ser quem de fato é?
- Você já parou para ouvir e prestar atenção em suas necessidades, prioridades, objetivos?
- Você ouve sua intuição (a sabedoria do seu repertório pessoal), na mesma frequência que ouve a voz da sua autocrítica?
Há um anexo do planejamento trimestral, é uma dica que vale À pena.


