Você já deve ter ouvido falar nos últimos meses sobre o ‘boysober’, é um termo cunhado lá nos USA por uma comediante, e uma deixa leve para evitar o peso que possui o termo ‘celibato’, mas calma, não é para sempre, a não ser que seja seu desejo, é claro.
Bora desenrolar o tema?!
Na vida adulta com o amadurecimento aprendemos que amor romântico é fundamental para uma vida plena, nos é vendido com algumas roupagens, em que envolve: sacrifício, abdicação, concessão, devoção, submissão – silêncio, luta. UM tanto quanto exaustivo em ler, quem dirá praticar de forma racionalizada. Pois bem, será que o amor mudou? Será que nosso conceito foi distorcido ou estamos aprendendo a sermos mais críticos? Todo mundo quer amar bonito, quer um amor que faça sentido em todas as formas, mas sem defeitos, sem o lado feio, só a parte bonita que vai até as ‘felizes para sempre’.
Estamos aprendendo que relacionamento não é para ser um conto de fadas, afinal eu sou responsável pela minha própria felicidade, não é mesmo? Sem dúvida!
Se estamos sem alguém, podemos nos questionar o que nos falta, quando será que será nossa vez, por qual motivo com o outro parece mais fácil e até recorrente que com a gente… Tais questionamentos são um tanto sufocantes, pois nenhuma resposta é otimista e daí se cria um dilema da busca incessante por alguém e é sobre isso que quero falar neste texto.
Estamos sendo bombardeados sobre a importância do amor-próprio, do valor de estar em relacionamentos, e da necessidade de equilibrar todos os pratinhos da vida… Cansa, né?! Ao menos alguma coisa a gente quer fazer com que dê muito certo, e quando a escolha é o relacionamento, aí fica bem complexo, pois não envolve só seu desejo, envolverá o outro também, e a necessidade desta aprovação pode ter um alto custo quando investimos todos os cards das nossas energias e expectativas única e exclusivamente na possibilidade de ser escolhida por alguém (O livro: Prateleira do amor elucida bem), como exemplo, mulheres aprenderam a amar homens e estes aprenderam a amar coisas, ou seja, tendemos a nos relacionar de formas diferentes…
Neste ‘jogo’ a balança pesa muito mais pra um lado, e se constrói o dilema de que ‘devo’ (obrigação) estar em um relacionamento (ser escolhido por alguém), pode acabar acontecendo uma coisa delicada que é o fato de não nos darmos tempo para um ‘detox sentimental’, de se perceber, de conhecer quem é você sem o outro, de curtir outras formas de amor e de felicidade porquê às vezes a sede de pertencer é tanta que não tivemos tempo nem de aprender e aproveitar a solidão, a gente não dá um tempo nem pra se ouvir… Inevitavelmente há um outro recorte da diferença imposta pela sociedade, que em suas lentes é impulsionado ao homem essa autodescoberta e autossuficiência é bom ter tempo para curtir tudo, é como se tudo estivesse condicionado para sua experiência acontecer de forma fluída, e para eles também há sofrimento, inclusive quando vão na contramão do script, pois todos recebemos um desde de tenra idade, mas sem devagar muito, vamos voltar ao ponto do detox (…) Como estava dizendo, para homens cis, héteros não é tão pesado como a cobranças que as mulheres recebem, inclusive em termos biológicos, para não se atrasarem muito para construir uma família e blá blá blá…pauta para outro texto.
A reflexão deste ‘detox’ ou boysober’, vem como uma possibilidade de refletir se às vezes não é importante para os outros e para si mesma experenciar a própria solidão, se curar, se enxergar, aprender sobre si, e com a leveza do tempo não se cobrar para o próximo relacionamento que ainda não existe, menos ainda gastar todos os cards em fantasias, expectativas e toda a sua energia em cima de algo vago, que é o campo alheio. Talvez investir tudo isso em você, permita que haja um crescimento pessoal que não se reduza ao outro e todo este potencial de estar em um compromisso amoroso. Já pensou, se há em você um campo inexplorado cheio de potencialidades esperando uma única oportunidade? O outro não é razão de tudo.
Somos enfim, talvez até a primeira geração que confronta e confronta o padrão, e tudo bem se você começar a desacelerar hoje nesta cobrança por relacionamentos, caminhar um pouco e daqui a algum tempo estar com alguém, não é pra ser algo irrevogável. O intuito não é demonizar o status de relacionamento amoroso, mas sim trazer uma reflexão, gerar uma proposta para talvez dar margem a outras coisas maravilhosas que a vida pode proporcionar. Amar é bom e fantástico, inclusive tudo que pode acontecer apenas quando se compartilha, e pode haver amor em tudo, inclusive naquilo que você faz quando se centra e olha profundamente para você… Inclusive isso dá uma boa margem para se conectar com pessoas dispostas a caminharem junto contigo de forma mais leve e recíproca.
Que tal sair do automático? Que tal jogar a toalha de esperar ou procurar por alguém?


