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Quando miramos no amor e acertamos a solidão

fevereiro 13, 2023by Karina Moreira1

Já reparou o quão é fácil se decepcionar com o amor? Normalmente buscamos relações com o desejo de silenciarmos nossas angústias, de forma que o outro possa ocupar todas as lacunas de nossas vidas, e quando este não está ali ao nosso dispor podemos nos sentir abandonados e sozinhos, mas é importante salientar que o “Sentir-se só não é o mesmo que estar só”.

Por vezes enaltecemos a importância de aprendermos a ser autossuficientes e aproveitar mais a nossa individualidade. A palavra “solitude” tem sido utilizada numa tentativa de se referir a uma espécie de solidão que não caia rapidamente no campo do sofrimento, ou seja, criamos um termo para não associação do peso negativo. A solidão é necessária, e não dispensável, é um estado meditativo, de bem-estar, de contentamento consigo mesmo. Mas que também, por vezes, dá notícias do desamparo e da angústia com que chegamos ao mundo, os afetos fundamentais que nos levam às vivências amorosas. Cada um de nós experimentou, experimenta em alguma medida e ainda voltará a experimentar esses afetos na vida, já que é da nossa condição de ser humano e de ser falante passar por aí. Mas o fato de esses afetos nos constituírem não significa que eles nos determinem, e é por isso que o amor é efeito da solidão, ainda que não nos livre dela.

Em um trecho apaixonante de um livro é dito que:

Nós esperamos que o amor restaure alguma nobreza à solidão não significa dizer que o amor salve alguém da solidão.

Em reflexão a autora faz alusão ao mito de Aristófanes: “…não existe um pedaço nosso andando por aí. E, mesmo se existisse, esse pedaço nosso andando por aí já teria sua própria falta fazendo par com ele (…) cada vez que nos encontramos com alguém no campo do amor, nos encontramos com a nossa condição faltante e também com a do outro. Nos encontros amorosos, por exemplo, são encontros entre duas pessoas e suas faltas, o que por vezes nos leva a interpretar como um erro, como um mau encontro.”  Pois, buscamos no outro algo que este não possui

 

 

O mito de Aristofanes:

fábula de Aristófanes, narrada por Platão em seu livro O banquete.
Nela, conta-se que antigamente éramos seres duplicados:
tínhamos quatro pernas, quatro braços, duas cabeças e dois sexos.
Havia os seres que tinham dois sexos femininos, os que tinham dois
sexos masculinos e os que tinham um sexo feminino e um sexo
masculino. Assim, éramos seres muito fortes. Preocupado com a
possibilidade de que tirássemos o lugar dos deuses, a fim de nos
enfraquecer e garantir a soberania deles, Zeus teria nos cortado
pela metade, costurando cada parte na região do umbigo e
voltando nossa cabeça para ele, de forma que sempre nos
lembrássemos do resultado da vaidade. Para, além disso, teria nos
espalhado pelo planeta, afastando as metades. Desde então, cada
um de nós viveria se sentindo com falta de algo, supostamente a outra metade de si mesmo.

by Karina Moreira

Psicóloga

One comment

  • Jessica

    fevereiro 13, 2023 at 10:23 pm

    Lindo! ♥️

    Reply

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